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Dani Morais
Há muito tempo que não escrevo por aqui. Exatamente 7 meses hoje. De lá pra cá, muita coisa mudou: me mudei finalmente para um apartamento, começei finalmente a trabalhar (e não só fingir que estava trabalhando, rs) e aprendi finalmente a caminhar com minhas próprias pernas e finanças.

Gerenciar uma casa não é fácil. E quando falo isso, quero dizer realmente o sentido literal de gerenciar: chegar em casa do trabalho, cansada e com dor de cabeça, e ainda ter que fazer comida, lavar roupa, lavar louça, pagar as contas e tudo o mais que morar sozinha traz consigo... Inclusive a falta de tempo pra fazer outras coisas mais prazerosas. Nessas horas é que se percebe que estamos ficando mais velhos quando nos pegamos pensando "É... Agora eu entendo minha mãe". Morar sozinha é sentir na pele que você é dona de si e não deve satisfação pra mais ninguém. Mas também é sentir na pele (e aqui eu quero dizer fisicamente) o preço salgado que vem com isso. É crescer, assumir responsabilidades, fazer orçamentos e planejamentos. E é também, paradoxalmente, se libertar.

Mas é claro que ainda tenho muito o que aprender. Meus próximos desafios, já em minha lista há algum tempo, são: lembrar de comprar somente o necessário; entender que um deslize em relação a isso não é o fim do mundo; lidar com a ausência física, cada vez maior, da minha outra metade; deixar de preguiça e fazer exercícios físicos regularmente; voltar a escrever; arrumar uma maneira divertida e menos tediosa de limpar a casa; aprender que posso não ter todos os conhecimentos do mundo para o meu trabalho, mas tenho capacidade de obtê-los; estudar (sempre!); tentar me controlar ao falar com atendentes da VIVO, TIM, Telefônica, Editora Três ou qualquer outro serviço que tenho ou venho tentando deixar de ter; começar a investir mais e melhor; e por último, mas não menos importante, sair dessa greve sã.
Dani Morais
Já há algum tempo que sinto vontade de, depois de duas tentativas fracassadas, voltar a ter um blog para expor algumas ideias. Há mais tempo ainda que sinto vontade de voltar a escrever. Escrever sempre foi uma das minhas paixões. Já perdi a conta de quantas histórias começei a escrever com a pretensão de torná-las em um livro e, devido as correrias da vida, fui obrigada a interrompê-las. Minha gaveta está cheia de histórias e poemas esquecidos. E agora, diante do predomínio do meu lado prático fruto de anos de estudos e da engenharia, confesso que uma parte de mim sente que foi posta de lado. Meio esquecida. Meio perdida. Sinto uma falta.

Esse blog é para expor meus pensamentos sobre variados temas: situações do dia-a-dia, atualidades, poesia... Sim, poesia. Quero através da escrita tentar resgatar esse meu lado perdido e enferrujado que ainda faz parte de mim.

E para encerrar esse post introdutório, quero deixar aqui alguns trechos da maravilhosa Clarice que sempre soube me entender tão bem:

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar".

"E se me achar esquisita,
Respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar".

"Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres".

"Liberdade é pouco.
O que desejo ainda não tem nome".

"O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se me entendesse".

Clarice Lispector