Pra marcar um médico em Brasília é um sufoco. Além do serviço médico ser péssimo (e pouco), sempre é uma pessoa simpática que te atende.
Dia desses tive que desmarcar um.
Atendente: Gostaria de confirmar sua consulta pro dia X.
Eu: Não vou poder ir, mas gostaria de remarcar pra outro dia.
Atendente: Pra marcar de novo tem que ligar outro dia, no dia sgsghjajsj.
Eu: Quando?
Tu tu tu tu tu....
Na caraaaaaaaaaaaaa!!!!!!!
Por que diabos os ônibus não têm janelas em baixo, somente em cima?
Será que não foi previsto que Brasília teria uma primavera com picos de 34 graus em 2009??
Forno!
Conversa ente o Gabriel (G) e um cara (C) passando:
C: - Moço, não pode estacionar aí. Estaciona alí na frente.
G: - Obrigado. Quanto é?
C: - Quanto é o que?
G: - Quanto é pra estacionar?
Pausa.
C: - Você é daqui de Brasília?
G: - Não.
C: - Ah, então esquece.
E o cara continua andando.
Quem disse que em Brasília só tem roubalheira?
Pelo o que relatei aqui, já deu para perceber que Brasília é bem diferente do Rio. Mesmo assim, e levando em conta que cada região tem sua cultura, alguns costumes por aqui me causaram muita estranheza, choque ou até mesmo riso. Não pude evitar e anotar alguns para passar adiante e deixar outros cariocas ou conhecedores da cultura carioca tomarem suas próprias conclusões.
- Uma característica da arquitetura brasiliense é acimentar um grande espaço (e digo grande mesmo) entre os monumentos. O detalhe surreal é não colocar nada ou quase nada no local, nem mesmo uma fonte, uma estátua, um jardim ou qualquer outra coisa. Nada mesmo. É uma perda enorme de área útil já que o resultado é um grande nada com cimento. Sem falar no aumento do escoamento superficial podendo causar alagamentos e/ou enchentes (aliás, não tenho visto bueiros por aqui). Dois exemplos são a Praça dos Três Poderes e o espaço em que fica a Catedral de Brasília e o Complexo Cultural da República, este último formado pela Biblioteca Nacional e o Museu Nacional;
- As linhas de ônibus por aqui são fracionárias. Isso mesmo que você leu. Você pode pegar, por exemplo, o ônibus 125.3 ou o 125.4 (exemplos meramente informativos, não sei se existem essas linhas!). Coisa de doido, né? Um motorista de táxi me informou que isso ocorre porque fazem o mesmo caminho, sendo que um vai por uma via diferente do outro. Não seria mais fácil ter números diferentes? Já pensou isso no Rio?
"Você vai pegar o 175?"
"Não, eu vou pegar o 175.3" (!!);
- Existem vários estacionamentos de rua por aqui. E quando eu digo "vários", eu quero dizer váaaaarios mesmo. Brasília deve ser a "cidade" dos parques e dos estacionamentos. E o melhor é que é tudo de graça, embora em alguns locais já começarem a aparecer flanelinhas. Paradoxalmente, os shoppings aqui têm estacionamentos pagos e muitas vezes existem os estacionamentos de graça em frente. É pra entender? O shopping Conjunto Nacional, do lado da rodoviária, é um bom exemplo. O estacionamento público é em frente, onde com alguns passos você já está no shopping. Já o preço do estacionamento é R$6,00 por 2 horas (!!) e R$2,00 a hora adicional (!!!). Vai querer estacionar aonde?;
- Os flanelinhas, aliás, estão tendo sua profissão regulamentada pelo GDF (governo do DF), com carteira assinada e tudo. Por enquanto, é suficiente dar apenas algumas moedas para eles, porém, com a regulamentação, esse roubo, quer dizer, pagamento pode mudar. Já pensou isso no Rio? Eu adoraria ver uma greve de flanelinhas!;
- Falando mais sobre estacionamentos, é muito comum as pessoas por aqui estacionarem seus carros em locais proibidos, até mesmo em frente aos Ministérios (!). Chegam a estacionar em frente de outros carros, impossibilitando a sua saída, mas deixando o freio de mão abaixado para o flanelinha empurrar o carro. A cara-de-pau é tanta que chegam a formar uma fila de carros entre as filas de carros, deixando dois pequenos espaços para o fluxo de carros na rua. A imagem abaixo foi flagrada na rua em frente ao nosso flat na Asa Norte:
Moto para em fila imaginária.
Não dá pra ver direito? Que tal essa?
Carro passando ao lado da fila imaginária.
- Todos os shoppings de Brasília têm uma loja Renner e uma Loja Americana. Até o supermercado Carrefour na W3 716 Norte tem uma Renner. Tudo bem que é em um shopping contínuo ao supermercado, mas não deixa de ser digno de estranheza, e mais ainda se considerar um SHOPPING (com cinema sendo construído) acoplado a um SUPERMERCADO;
- As ruas de Brasília são nomeadas de acordo com coordenadas UTM. Eu, que sempre fui conhecida pela minha falta de habilidade de encontrar endereços, arrumei a desculpa perfeita para essa falha. Pelo menos, sendo uma boa engenheira, é mais fácil decorar números do que enésimos nomes de ruas. Seria mais fácil ainda se as quadras não parecessem todas iguais....;
- Você tem um animal de estimação ou quer um novo look? Então, você deve se mudar para Brasília, onde existem pet shops e cabeleleiros até não se poder contar mais. Só perto de onde estamos, já contamos, pelo menos, uns 8 ou 10 de cada. Não entendo essa obsessão. Pelo menos não pode se reclamar de falta de concorrência;
- Outra coisa normalíssima por aqui é você estar no ponto de ônibus e parar um carro de passeio com alguém gritando de dentro “rodoviária” ou outro destino qualquer. Sim, isso mesmo. Como o transporte público é um lixo e o custo de vida alto, para ganhar um extra as pessoas pegam seus próprios carros e param em pontos de ônibus oferecendo levar o passageiro até seu destino pelo mesmo preço cobrado do ônibus, podendo variar de R$2,00 (para o Plano Piloto) até R$3,00 (para outras RA's). Você, como um bom carioca, entraria dentro do carro de um desconhecido que pára no ponto de ônibus gritando? Será o início das vans em Brasília?;
- Os microônibus, que lembram os antigos e coloridos “Barrinha” que circulavam na Barra da Tijuca na década de 1990/2000, chamam-se Lototáxi. Loto... táxi? Ãh?;
- Pensa que é carioca que gosta da conjunção de vidros do carro abertos e música no volume máximo enquanto passa no seu lado no trânsito? O Brasiliense faz isso inclusive às 7h da manhã e às 23h da noite. Eu, que estou no segundo andar de um prédio, às vezes acordo levando um susto ou vou dormir escutando uma serenata noturna.
Se você achou que a maioria dos fatos aqui envolvem carros, é porque em Brasília é quase impossível viver sem um carro. Muitas vezes é preciso pegar dois ônibus ou mais para circular entre as Asas.
Ainda bem que aqui é a "cidade" dos estacionamentos, não é mesmo?